A "Armadilha Invisível" de cobrar à hora em Portugal

No universo do trabalho independente — quer trabalhe a "Recibos Verdes", em Regime Simplificado, ou como Empresa Unipessoal (ENI) —, o erro mais crítico que um freelancer principiante comete é dividir o salário que ganhava por conta de outrem pelas 160h de um mês normal e tentar vender a sua hora por esse valor.

A realidade matemática é perfeitamente implacável. Enquanto freelancer, é na verdade uma "empresa de uma pessoa só". E isso tem implicações diretas naquilo a que chamamos as Horas Não Faturáveis e a Fatia do Estado.

1. A Ilusão das 40 Horas Semanais

Mesmo que esteja à frente do computador 40 horas por semana, o tempo real que pode efetivamente cobrar a um cliente raramente ultrapassa os 60% a 70% se for muito disciplinado. As restantes dezenas de horas são gastas naquilo que é o inevitável trabalho administrativo da sua atividade comercial (Escrever propostas, lidar com finanças, angariar clientes).

2. O Fardo da Segurança Social e IRS

A partir do segundo ano de atividade, cessa a isenção de Segurança Social. O freelancer padrão terão de entregar 21,4% do seu Rendimento Relevante (geralmente 70% do bruto) quatro vezes por ano através da temida Declaração Trimestral de Segurança Social.